A noite estava fria, mas as estrelinhas colocaram seus agasalhos feitos de plumas de nuvens e continuavam a brilhar. Pelo ar corria a boa nova: nascera o Menino Jesus! Todos se dirigiram à gruta de Belém, onde se encontrava o Pequenino Deus. Cada um levava seu presente: frutos, carneirinhos, ouro, tecidos, leite, perfumes.
Para que tudo transcorresse em ordem, São José organizou uma fila. A fila era tão grande que não se podia ver o fim... Mas assim era melhor! Cada visitante teria sua vez de se aproximar do Menino Jesus.
O último a chegar foi um pastorzinho. Vinha tão envergonhado... porque seu presente era muito pobre e o mais simples de todos. Trazia um ramalhete de flores inteiramente brancas e quase sem nenhuma beleza...
Ao entrar na gruta tirou o seu chapeuzinho e ficou olhando a linda criança rosada que dormia nas palhas de uma manjedoura. Não tinha coragem de oferecer-lhe aquelas flores tão feias...
Neste momento, o Menino Jesus acordou e começou a esticar seu pezinho. Esticou...esticou, até tocar com os dedos a alvura daquele ramalhete.
E cada flor branca ganhou um coração amarelo como o sol. E cada flor branca começou a ser uma formosa margarida.
O pastorzinho sorriu e compreendeu que Deus-Menino gosta da ternura dos corações e não da riqueza dos presentes.
Gigia Toledo